Olá meninas, hoje venho escrever um bocadinho ao lado do habitual. Acho que o facto de escrevermos num blog e partilharmos um bocadinho da nossa vida também serve para partilharmos opiniões e pontos de vista.
Embora este post possa vir a ser um bocadinho extenso, peço-vos que percam um bocadinho do vosso tempo a lê-lo.
A minha motivação para escrevê-lo deveu-se a ter visto postado no facebook uma ligação com um vídeo que fazia alusão à produção de chocolate e sugeria que as grandes marcas tiravam partido de trabalho infantil para a sua produção.
Embora um tanto ou quanto camuflado, toda a gente sabe que este tipo de mão-de-obra continua a existir, especialmente nos chamados países de terceiro mundo, onde a pobreza obriga as pessoas a recorrerem a todos os meios de subsistência, inclusivé o trabalho infantil. É perfeitamente compreensível e seria não mais aceitavel mas menos repreensível se estes trabalhos fossem devidamente remunerados, coisa que não acontece.
Há dias estava numa esplanada (eu tinha um casaco de pêlo de coelho vestido) e o meu namorado disse-me que alguém comentou como era possível andar com um casaco de pêlo. À primeira vista esta pode ser e parecer uma opinião acertada, no entanto, se pensarmos bem nas coisas talvez não seja uma questão assim tão linear.
Imagem reatirada daqui: http://sfcitizen.com/blog/2010/11/26/word-from-the-street-donna-karan-is-a-bunny-butcher-bunny-ears-help-peta-anti-fur-protest-at-union-square/
Em primeiro lugar, o pêlo é um material natural, que é usava desde a idade pré-histórica pelo homem, ainda eles não tinham algodão, poliéster, acrílico nem nada do género. A verdade é que conviviam todos e não havia espécies em extinção nem poluição! Afinal existe desde sempre uma cadeia alimentar onde animais com ervas, que são comidos por outros animais e assim sucessivamente. O homem como ser omnívoro come os animais, portanto porque não aproveitar as suas peles?! Lá vamos nós, claro que há maus tratos animais em certos casos, mas isso é como tudo e resta-me acreditar que quem comercializa este tipo de produtos é uma pessoa digna e integra. Eu como bifes, logo como vaca, frango, coelho, pato... Venha daí o primeiro que atire uma pedra e diga que não come carne e não tem nada em pele, nem um edredon de penas, ou um casaco de penas, seja o que for...
E chegam os vegetarianos e dizem, ah não não mas eu nem comer como. Ok! Esses sim, ainda podem ter uma certa credibilidade.
Se eu andar com um casaco de coelho parece que toda a gente repara, e se eu andar com um casaco de pêlo/pele de ovelha que tanto se confunde com os casacos da moda em imitação mas de algodão ou acrílico? Será que alguém repara? E embora andem aí muitas imitações, alguém repara nas actuais tão afamadas UGG que toda a gente usa e embora se digam australianas são fabricadas na China e muita gente compra imitações na internet que circulam por aí rumores que são feitas de pêlo de cão?
Não suporto pessoas fundamentalistas e extremistas que falam de um casaco de pêlo (note-se que não ando com casacos de animais selvagens) mas trazem nos pés sapatos ou sapatilhas de pele, cintos, carteiras, porta-moedas sem sequer dar por isso, enquanto criticam os outros.
E agora põe-se outra questão: as alternativas!
Ora bem, temos os materiais naturais como o algodão e os sintéticos, como acrílicos, plásticos (usados em sapatos e carteiras por ex.). Será que alguém pensa o que comporta a produção destes produtos? Os plásticos acarretam elevados níveis de poluição na sua produção e mesmo quando acaba a sua vida útil e os deitámos fora e enquanto um plástico dura um a dois anos, a pele dura uma vida se bem estimada. Esta poluição claro que prejudica a flora e a fauna...
E onde são produzidas as coisas? "Ah, eu vou à loja dos chineses ou à Zara comprar um par de sapatos, não são de pele e são baratos!" E quem os produziu? Já todos sabemos da velha história de quem dá o corpo ao manifesto, pessoas pobres, crianças, exploradas e indevidamente remuneradas. E lá vem a etiqueta que diz made in China, made in Indonésia e por aí fora.
Produção da Nike
E aqui volto à questão do chocolate. Não é que vá ou não deixar de comer chocolate, ou que haja roupa feita em chocolate. Mas da mesma forma que existe trabalho escravo aqui, o algodão é apanhado em locais onde a mão-de-obra é essencialmente infantil. Há umas semanas estive a ver um documentário sobre a apanha de algodão no Burkina Faso e grandes multinacionais, para onde este algodão era enviado, foram questionadas acerca desta questão e ninguém parecia saber de nada. É pó varrido para debaixo do tapete! Toda a gente em África sabia que as crianças era traficadas para os campos de algodão, com promessas de enriquecerem. Ao invés disso deparam-se com dias árduos de trabalho, sob o sol, horas a fio, descalças, sem comida, porque as crianças são mais fáceis de dominar, porque não se revoltam e fazemos o que queremos delas diziam!
Produção de Algodão no Mali, Costa do Marfim e Burkina Faso
Produção de algodão no Urzebesquistão
Por isso que venha alguém e atire a primeira pedra. Até que ponto podemos criticar e julgar as pessoas sem saber tudo o que está "por detrás do pano"? Até que ponto é melhor usarmos coisas sintéticas ou até mesmo uma peça de algodão? Era bom que fosse tudo linear e feito da forma politicamente correcta e dentro da ética. Mas todos sabemos que as coisas não acontecem assim, principalmente quando existe muitas movimentações económicas envolvidas.
Devemos questionarmo-nos até que ponto o que achamos politicamente correcto o é! Até que ponto um produto "amigo dos animais" é amigos das pessoas e do ambiente? Há que perceber que muitos dos substitutos dos produtos naturais, os plásticos, são dos maiores poluentes que temos, tanto a nível de produção como desperdícios e invadiram-nos camuflados de imensas formas e feitios e vieram para ficar! Acho que a melhor opção são as pequenas produções e procurar de facto produtos naturais e nacionais! Procuro produtos portugueses, que não são resultado de trabalho infantil e que muitas vezes são subvalorizados e são vendidos a menor preço do que um produto sintético, ou seja, qualidade por baixo preço.


